Os próximos mil passos
Por Rodrigo Arrais – Pastor da Rede de Jovens na IBA-Angelim
O conteúdo dos ensinamentos de Jesus é simples. O homem acostumado com filosofias intrincadas e discursos difíceis pode, em um primeiro encontro, decepcionar-se com a maior parte daquilo que Ele ensinou. Por outro lado, um olhar mais demorado poderá encontrar na simplicidade de Jesus caminhos para uma existência com propósitos. Ensinando novos convertidos hoje, no curso das águas (nosso preparatório para o batismo), fui lembrado disto pelo Espírito. Os princípios universais estão lá na pregação do Mestre, sendo proclamados para as multidões de famintos nas montanhas, alguns provérbios conhecidos do mundo antigo se fazem presente, como não poderia deixar de ser. Estes princípios estão revelados nos evangelhos e em várias passagens tanto na vida do próprio Jesus, quanto na dos discípulos.
É quase inconcebível que na mesma proporção da simplicidade do princípio se coloca a dificuldade de sua execução. Parece que temos uma preferência doentia por coisas complicadas. Conheço pessoas que não conseguem ser cristãs por que acham o tipo de relacionamento com Deus que o cristianismo propõe fácil demais! Este tipo de pessoa quer mesmo é a confusão dos sacrifícios noturnos, danças ritualísticas e banhos de urina, além de um conjunto de rezas e confissões. Conheço algumas igrejas pretensamente cristãs que complicam as coisas um pouco, um pouquinho só, para agradar o gosto natural do povo. Daí nascem as correntes e campanhas sem fim. Tudo com o objetivo de conseguir algo que se conseguiria com uma oração de fé. Enfim, somos complicados. Deus não.
Um dos princípios mais radicais que Jesus veio estabelecer é o do semear e colher. Muito se tem estudado e pregado sobre o assunto. As implicações deste princípio na área financeira são óbvias e, quase todo pregador já abordou o tema deste jeito. No entanto, existe outro lado neste assunto, meio esquecido, mas tão importante quanto os frutos do semear financeiro. O amor é a maior semeadura que podemos fazer. Dela nascem os frutos poderosos do testemunho e da vida de Deus.
Semear amor é doloroso. Quando falamos de amor logo aparece na mente do leitor aquela sensação romântica. Esqueça este tipo de amor-romântico porque ele não se encaixa aqui. O amor que precisamos semear é o da vontade. Este foi o ensino revolucionário de Jesus que, na época da lei de talião, veio pregar a lei “dê a outra face”. O principio carnal do “olho por olho” estava no auge quando o Mestre veio proclamar a mudança de direção. “Agora”, proclamou ele, “você deve andar a milha extra”.
“Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; e ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; e, se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele dois mil. Dá a quem te pedir, e não voltes as costas ao que quiser que lhe emprestes. Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos. Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? não fazem os publicanos também o mesmo?” ( Mateus 5:38-46)
Esta é verdadeiramente uma semeadura radical. Ela não nasce de uma semente pré-existente de amor, fruto de um ato bondoso em nosso favor. Ela nasce da perseguição. Este amor existe somente em nós e transforma-se em semente através de uma resposta diferente. Orar pelos que nos perseguem é uma forma de semear o amor de Deus em dimensões completamente novas. Melhor do que a semente da palavra, a atitude de amar os que nos perseguem e plantar vida neles, através da tempestade, pode mudar seus destinos para sempre.
Pronto. Acabamos de fazer uma reflexão rápida sobre a semeadura de amor. Ela não é para os que nos amam, mas sim, para aqueles que nos odeiam. É este o tipo de coisa sobre que Jesus veio ensinar. Na sua teoria é bem simples e consiste em retribuir sempre o mal com o bem. Orar e amar, pela vontade, aqueles que nos perseguem. Na prática, leva tempo para fazer destas nossas sementes, as poderosas geradoras de vida que devem ser. Por outro lado, ser discípulo de Jesus é colocar em prática o que ele ensinou. Comece hoje orando por aqueles que te perseguem, dando vida nova a quem te nega amor e entregando a túnica a quem te pede muito menos. Afinal, alguém precisa começar a andar os próximos mil passos.
O Cordão de Três Dobras
Por Luciano Subirá
A Bíblia diz em Eclesiastes 4.9-12 que “melhor é serem dois do que um”, mas termina falando sobre o cordão de três dobras e revelando que é melhor serem três do que dois. Fica implícito que a conta de uma terceira dobra no cordão está mostrando que o “time” aumentou.
“Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com facilidade.” (Eclesiastes 4.12)
Salomão afirma que se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão. Isto mostra que um cordão dobrado oferece maior resistência. Porém, ao acrescentar-se uma terceira dobra, ele fica ainda mais resistente! Se há benefícios em ser dois, há muito mais em ser três!
Como já afirmamos, Salomão não fez esta afirmação direcionada exclusivamente ao casamento; ele fala de relacionamento de um modo geral. E, em qualquer relacionamento, a terceira dobra poderia ser mais uma pessoa. Porém, quando examinamos a revelação bíblica acerca do casamento, descobrimos que, no modelo divino, deve sempre haver a participação de uma terceira parte. E isto não fala da presença de algum filho e nem tampouco de um (abominável) triângulo amoroso! Fala da participação do Senhor no casamento.
A presença de Deus é a terceira dobra e deve ser cultivada na vida do casal. Adão e Eva não ficaram sozinhos no Éden, Deus estava diariamente com eles e, da mesma forma como idealizou com o primeiro casal, Ele quer participar do nosso casamento também!
Vemos esta questão do envolvimento de Deus na união matrimonial sob três diferentes perspectivas:
1. Deus como parte do compromisso do casal;
2. Deus como fonte de intervenção na vida do casal;
3. Deus como modelo e referência para o casal.
UMA DUPLA ALIANÇA
Como já afirmamos no primeiro capítulo, o casamento é uma aliança que os cônjuges firmam entre si e também com Deus. O Senhor, através do profeta Malaquias, referiu-se ao casamento como sendo uma aliança entre o homem e a sua mulher:
“Porque o Senhor foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança”. (Malaquias 2.14)
A esposa foi chamada por Deus como “a mulher da tua aliança”, o que deixa claro qual é o enfoque bíblico do casamento. Esta aliança matrimonial não é apenas uma aliança dos cônjuges entre si, mas do casal com Deus. O matrimônio, portanto, é uma dupla aliança. Malaquias diz que Deus se faz presente testemunhando a aliança do casal. O mesmo conceito também nos é apresentado no livro de Provérbios:
“Para te livrar da mulher adúltera, da estrangeira, que lisonjeia com palavras, a qual deixa o amigo da sua mocidade e se esquece da aliança do seu Deus”. (Provérbios 2.16,17)
Novamente as Escrituras condenam o abandono ao cônjuge, pois neste texto, assim como em Malaquias, a infidelidade é abordada. Nesta situação, é a mulher quem foi infiel ao amigo de sua mocidade e é chamada de alguém que se esqueceu da aliança do seu Deus. A palavra “aliança”, neste versículo de Provérbios, fala não apenas da aliança entre os cônjuges, mas da aliança deles com Deus. Fala da obediência que alguém deve prestar à Lei do Senhor e também se refere ao matrimônio como uma aliança da qual Deus quer participar.
No Antigo Testamento vemos Deus, por intermédio de Moisés, seu servo, entregando a Israel dez mandamentos que se destacavam de todos os demais. Eles foram chamados de “as palavras da aliança”:
“E, ali, esteve com o Senhor quarenta dias e quarenta noites; não comeu pão, nem bebeu água; e escreveu nas tábuas as palavras da aliança, as dez palavras”. (Êxodo 34.28)
Um destes mandamentos mostra que preservar o casamento não é apenas uma obrigação da aliança contraída entre os cônjuges; é parte da aliança firmada com o próprio Deus: “Não adulterarás” (Êx 20.14). As ordenanças do Senhor foram escritas (incluindo a ordem de não adulterar) e o livro onde foram registradas passou a ser chamado de “o livro da aliança”:
“Moisés escreveu todas as palavras do Senhor… E tomou o livro da aliança e o leu ao povo; e eles disseram: Tudo o que falou o Senhor faremos e obedeceremos. Então, tomou Moisés aquele sangue, e o aspergiu sobre o povo, e disse: Eis aqui o sangue da aliança que o Senhor fez convosco a respeito de todas estas palavras.” (Êxodo 24.4a,7,8)
Portanto, o casamento é uma dupla aliança; é uma aliança dos cônjuges entre si, mas também é uma aliança de ambos com Deus. Logo, o Senhor está presente na aliança, no compromisso do casamento. Esta é uma das formas em que Deus pode ser a terceira dobra no relacionamento conjugal.
EDIFICAR COM A BÊNÇÃO DE DEUS
Outra forma como Deus pode e quer participar no casamento é podendo intervir, agir em nossas vidas e relacionamento conjugal. Não temos a capacidade de fazer este relacionamento funcionar somente por nós mesmos; aliás, temos que admitir nossa dependência de Deus para tudo, pois o Senhor Jesus Cristo mesmo declarou: “sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5). A Palavra de Deus nos ensina que precisamos aprender a edificar com a bênção de Deus, e não apenas com nossa própria força e capacidade:
“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela.” (Salmo 127.1)
“Edificar a casa” é uma linguagem bíblica para a construção do lar, não do prédio em que se mora. Provérbios 14.1 declara que “A mulher sábia edifica a sua casa, mas a insensata, com as próprias mãos, a derriba”. Isto não quer dizer que temos uma mulher “pedreira” e outra “demolidora”, pois o texto fala do ambiente do lar e não de um edifício físico.
Há ingredientes importantes para edificação da casa (Pv 24.3), mas o essencial é cultivar diária e permanentemente a presença de Deus.
PARECIDOS COM DEUS
Uma outra maneira como Deus se torna parte em nosso casamento é como modelo e referência para nossas vidas. O Senhor é o padrão no qual devemos nos espelhar!
“Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados.” (Efésios 5.1)
O Novo Testamento revela com clareza que o plano divino para cada um de nós é conformar-mo-nos com a imagem do Senhor Jesus Cristo:
“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” (Romanos 8.29)
As Escrituras declaram que fomos “predestinados” (destinados de ante-mão) para sermos conformes à imagem de Jesus! Cristo é nosso referencial de conduta; o apóstolo João declara que “aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou” (1 Jo 2.6). O apóstolo Pedro afirmou que devemos seguir os Seus passos, o que significa: caminhar como Ele caminhou (1 Pe 2.21). A transformação que experimentamos na vida cristã é progressiva (a Bíbia chama “de glória em glória) e tem endereço certo: tornar-nos semelhantes a Jesus (2 Co 3.18).
O Senhor Jesus atribuiu ao “coração duro” o grande motivo da falência do matrimônio (Mt 19.8). As promessas de Deus ao Seu povo no Antigo Testamento eram de um transplante de coração (Ez 36.26); o Senhor disse que trocaria o coração de pedra (duro, da natureza humana decaída) por um coração de carne (maleável, com a natureza divina). A nova natureza deve afetar nosso casamento. Se Deus passar a ser o modelo ao qual os cônjuges buscam se conformar, certamente se aproximarão um do outro e viverão muito melhor!
Pense em dois cônjuges cristãos manifestando as nove características do fruto do Espírito (Gl 5.22,23): “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio”. Se manifestarmos a natureza de Deus, andaremos na plenitude do propósito divino para os relacionamentos.
Cresci ouvindo meu pai dizer (e aplicar em relação ao casamento) o seguinte: “Quando duas coisas se parecem com uma terceira, forçosamente serão iguais entre si”. Ele dizia que se o marido e a mulher vão se tornando parecidos com Deus, então eles ficam mais parecidos um com o outro. No ano de 1995, quando eu era ainda récem-casado, eu vi num curso do “Casados Para Sempre”, ministrado pelo Jessé e Sueli Oliveira (hoje presidentes nacionais do MMI – Marriage Ministries Internacional), uma ilustração interessante: um triângulo que tinha na ponta de cima palavra “Deus” e nas duas de baixo as palavras “marido” e “esposa”. Nesta ilustração eles nos mostraram que quanto mais o marido e a esposa subiam em direção a Deus, mais próximos ficavam um do outro. Nunca mais eu a Kelly esquecemos este exemplo.
Quero falar de apenas três (entre muitos) valores que encontramos na pessoa de Deus e que deveríamos reproduzir em nossas vidas. Certamente muitos casamentos podem ser salvos somente por praticar estes princípios: amar, ceder e perdoar.
Amar
Se Deus será parte de nosso casamento como modelo e referência, então temos que aprender a andar em amor, uma vez que as Escrituras nos revelam que Deus é amor (1 Jo 4.8). A revelação bíblica de que Deus é amor não foi dada apenas para que saibamos quem Deus é, mas para que nos tornemos imitadores d’Ele:
“Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave.” (Efésios 5.1,2)
Há diferentes palavras usadas no original grego (língua em que foram escritos os manuscritos do Novo Testamento) para amor: “eros” (que retrata o amor de expressão física, sexual), “storge” (que fala de amor familiar), “fileo” (que aponta para o amor de irmão e/ou amigo), e “ágape” (que enfoca o amor sacrificial). Quando a Bíblia fala do amor de Deus, usa a palavra “ágape”; este é o amor que devemos manifestar! Ao escrever aos coríntios, o apóstolo Paulo ensina como é a expressão deste amor:
“O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” (1 Coríntios 13.4-7)
Se imitarmos a Deus e manifestarmos este tipo de amor, as coisas certamente serão bem diferentes em nosso matrimônio!
Ceder
A grande maioria das brigas e discussões gira em torno de quem está certo, de quem tem a razão. Muitas vezes, não vale à pena ter a razão; há momentos em que a melhor coisa é ceder, quer isto seja agradável, quer não! Observe o que Jesus Cristo nos ensinou a fazer:
“Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra; e, ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa. Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pede e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes.” (Mateus 5.39-41)
Se seguirmos a Deus, como nosso modelo e referencial, e aos seus princípios, o casamento tem tudo para funcionar. O matrimônio não é um desafio por causa da pessoa com quem convivemos, e sim porque este convívio suscita nossa carnalidade e egoísmo e mostra quem nós somos! A dificuldade não está no cônjuge e sim em nossa inaptidão em ceder. Se amadurecermos nesta área, nossa vida conjugal definitivamente colherá os frutos.
Perdoar
Se imitarmos nosso modelo e referencial, que é Deus, e perdoarmos como Ele perdoa – como um ato de misericórdia e não de merecimento, incondicional e sacrificialmente – levaremos nosso relacionamento a um profundo nível de cura, restauração e intervenção divina. A instrução bíblica é muito clara em relação a isto:
“Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.” (Efésios 4.32)
Concluindo, sem Deus (presente, intervindo e como nosso referencial) no casamento será impossível viver a plenitude do propósito divino para o matrimônio. Mesmo um casal que nunca se divorcie, viverá toda sua vida conjugal aquém do plano de Deus; por melhor que pareça sua relação matrimonial aos olhos humanos, ainda estará distante do que poderia e deveria viver.
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Autor: Luciano P. Subirá. É o responsável pelo Orvalho.Com – um ministério de ensino bíblico ao Corpo de Cristo. Também é pastor da Comunidade Alcance em Curitiba/PR. Casado com Kelly, é pai de dois filhos: Israel e Lissa.
Geração Eleita
Po Rodrigo Arrais – Pastor da Rede de Jovens na IBA-Angelim
Chamamos geração á um grupo de pessoas que são contemporâneas, ou seja, que vivem no mesmo período de tempo e compartilham dos mesmos acontecimentos históricos e da cultura própria do seu tempo. Assim temos a geração da década de 60, 70, 80, 90. Eu mesmo sou da recente década de oitenta. Lembro dos programas matinais da Xuxa, do Atari, da novela mexicana carrossel e gosto até hoje do Chaves. Se você nasceu nos anos oitenta também deve lembrar destas e de outras coisas características da nossa geração. Uma geração sucede a outra e tem sido assim desde o começo do mundo. Quando Deus coloca no homem o processo natural de envelhecimento, ele também inventa as gerações.
“Uma geração é aquilo que “gera a ação de um tempo”.
Os pais morrem e deixam seus filhos para que sejam pais e depois morram como eles, dando inicio assim a um ciclo sem fim. Assisti a algumas filmagens feitas no festival de rock de Woodstock na década de 60 e vi como era engraçada aquela geração que rolava na lama e dormia em céu aberto para ouvir Janis Joplin e Jimi Hendrix tocar. As causas do movimento hippie eram a paz mundial, sexo livre, drogas a vontade e muito rock’nd roll. Milhares de pessoas entraram de cabeça neste movimento cultural e criaram comunidades alternativas em todo o mundo. Influências chegaram ao Brasil e criaram novos estilos de música e comportamento. Conheço pessoas que fizeram parte daquela geração e hoje, com os seus sessenta e tantos anos, arrependem-se de terem gasto sua juventude naquele movimento. Sim, porque na verdade, a maioria da juventude hippie foi desperdiçada em uma vida nas drogas. Seus maiores heróis morreram de overdose ou Aids. O ponto é que, no mudar de gerações, costumes mudam e o foco de interesse da juventude é transformado.
O apóstolo Pedro nos chama de geração eleita. Mas eleita para que? Sabemos que as profecias do Messias já existiam desde séculos antes de Jesus. Isaías profetizou sobre ele assim como muitos outros profetas e homens de Deus. Por muitas gerações, Israel esperou a revelação do plano de Deus na pessoa do Messias. A própria bíblia, através dos profetas, nos diz:
“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o principado está sobre os seus ombros, e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe de Paz. Do aumento do seu governo e paz não haverá fim. Reinará sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o fortificar em retidão e justiça, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor fará isto.” ( Isaías 9:6¨)
O profeta Isaías vê Jesus e seu Reino eterno de justiça e retidão muitos anos antes do seu nascimento. O Messias estaria sendo revelado a uma geração eleita. Não simplesmente revelado no natural, mas uma geração receberia da revelação de que ele é o nosso único caminho para Deus. Eu quero que você entenda uma coisa bem claramente:
“A geração eleita da qual Pedro nos fala é atemporal. Todos aqueles que recebem a revelação de Jesus Cristo como Senhor e Salvador das suas vidas começam a fazer parte de uma geração eterna escolhida para viver com Ele. Somos a mesma geração de João Batista, dos apóstolos e de toda a igreja primitiva que viu Jesus na terra. Sim! Somos porque bebemos da mesma fonte e recebemos das mesmas promessas. Somos parte da geração eleita”.
Meu pai faz parte de uma geração terrena. Ele nasceu em um tempo diferente do meu e, no processo de amadurecimento, experimentou da cultura de uma outra época. No entanto, no que diz respeito as coisas do Espírito, fazemos parte da mesma geração eleita por Deus. Somos geração espiritual em Cristo. Isso não quer dizer que não existam responsabilidades especiais sobre cada novo grupo de cristãos na face da terra. Não! De modo algum gostaria que você pensasse isso. Algumas pessoas gostam mesmo de descansar, abrir seus livros de história e louvar a Deus pela forma grandiosa como ele usou as antigas gerações de homens e mulheres de Deus. Enquanto fazem isso, eles criticam o que Deus quer fazer na terra hoje. Cabe a cada nova geração discernir o seu papel no tempo em que vive.
Alguns cristãos viveram no período da perseguição, lá atrás, nos primeiros dias da igreja de Jerusalém. Para aquela comunidade, o maior desafio era permanecer vivo para testemunhar o maior tempo possível de Jesus. Sua responsabilidade era grande e eles cumpriram com excelência o seu papel na terra. O livro de hebreus no capitulo 11, versículo 38, diz que “ eram homens dos quais o mundo não era digno”. Aquela geração discerniu os tempos e soube que era a estação de ser radical. Viveu até o fim e enfrentou a perseguição religiosa que matou milhares deles, mas que também derrotou o maior império dos seus dias, forçando-o a dobrar os joelhos e reconhecer o nome de Jesus. Hoje não temos perseguição religiosa no Brasil. Ao menos, não abertamente ou tão fatal quanto no tempo do Império Romano. Como geração eleita, temos o mesmo Espírito Santo e a mesma revelação. Por outro lado, nossos desafios são mais variados. Hoje, a coisa que mais causa a morte de cristãos é o mundanismo, a preguiça espiritual, a cobiça, entre outras. O império Romano caiu. O império das trevas continua trabalhando no planeta terra. Se somos geração eleita, no mesmo Espírito dos apóstolos e profetas, qual o nosso papel hoje?
Tenho um professor que gosta de inventar novas expressões. A mais nova frase que anda usando é uma que diz: “Isto é de uma clareza solar!” Eu te disse isso para mostrar qual o nosso papel no mundo: Brilhar como o sol! Resplandecer com clareza solar…
“Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, Filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo, retendo a palavra da vida, para que no dia de Cristo, possa gloriar-me de não ter corrido nem trabalhado em vão” (Filipenses 2:15-16)
Estamos ilhados por uma sociedade perversa e com seus valores mais básicos inteiramente corrompidos. Agora temos duas opções: Brilhar ou misturar-se. Se nos deixarmos diluir pela filosofia deste mundo, não resplandeceremos! Precisamos ser diferente, inculpáveis, sinceros, amorosos e brilhar; cheios da graça e da presença de Deus. Assim como aconteceu com Moisés, ao descer do monte, nossa face precisa brilhar. Não dá para esconder o brilho da sua vida quando você vive debaixo da nuvem da Glória do Senhor.
Compreendendo os Diferentes Tempos Espirituais
Por Dan Duke (Fundador do ministério Uma Chamada Para As Nações)
Eclesiastes 3:1 diz: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.” Muitos que estão lendo este verso das Escrituras se encontram em um novo e quem sabe difícil momento de suas vidas. Uma das razões pelas quais cheguei a esta conclusão é que em minhas constantes viagens tenho visto uma sequidão pousando em grande parte das congregações que visito. Há um descontentamento geral até mesmo em meio às igrejas avivadas.
O meu escritório recebe e-mails de muitas pessoas descrevendo o esfriamento do fogo em seus corações e a perda de sua paixão pelas coisas de Deus. A maior parte destas pessoas culpa a si mesmas por estarem frias pensando que elas são as únicas pessoas que se sentem assim. Acredite em mim, isto está muito longe da realidade.
Você deve conhecer e compreender que as coisas do Espírito são temporais da mesma maneira que no mundo natural. Todos nós temos a nossa estação favorita do ano mas nós também sabemos que até mesmo a nossa estação favorita eventualmente mudará. Alguns preferem o verão, outros o inverno enquanto outros gostam mais do outono ou da primavera.
Em Gênesis 8:22 lemos: “Enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite não cessarão.” Embora isto se aplique diretamente à terra no sentido físico é em essência um princípio espiritual.
Os problemas surgem quando uma pessoa não consegue discernir o seu tempo (estação) espiritual ou até mesmo o tempo (estação) espiritual de uma nação. Se uma pessoa não identificar corretamente o tempo (estação) e o propósito deste tempo (estação), ele ou ela responderão de uma maneira errada na grande maioria das vezes.
A minha estação favorita do ano no natural é o inverno, quando o clima fica seco, mas prefiro a estação de chuva no espiritual. Eu equiparo a chuva de Deus à bênção de Deus e ao derramar do Espírito Santo. Para dizer de outra maneira, eu vejo a chuva de Deus e a estação de chuva espiritual como o tempo (estação) do avivamento.
Sem sombra de dúvidas o Brasil tem desfrutado de um longo período de avivamento. É bem possível que a igreja evangélica tenha crescido mais nos últimos vinte anos do que nos últimos duzentos anos. Milhões de brasileiros se entregaram a Jesus em um curto espaço de tempo. E nos regozijamos por isto. Contudo, o crescimento espiritual não tem acompanhado o crescimento numérico. As igrejas brasileiras estão cheias de bebês espirituais. Isto não é ruim a não ser que eles permaneçam como bebês para sempre. Chegou a hora da igreja brasileira crescer e plantar profundamente suas raízes no Rio de Deus.
As estações de chuva de nossas vidas, quando o Espírito Santo está sendo derramado, conforme temos visto nos últimos anos, produzem um crescimento rápido na superfície mas raízes pouco profundas. Muitos que no passado queimavam com o fogo de Deus agora estão se sentindo secos e vazios. Alguns até mesmo tomam isto como uma oportunidade para se desviarem ou para se envolverem em relacionamentos e atividades inapropriadas. O que isto prova é que eles só podiam sobreviver os tempos fáceis quando a chuva de Deus os mantinha molhados em Sua presença e quando pouco era exigido deles.
Muitos anos atrás, minha esposa Marti e eu, compramos uma linda planta para a nossa nova casa. Ela era linda com grandes folhas verdes que trouxe uma sensação muito gostosa de aconchego para o nosso lar. Aquela planta tinha crescido em um viveiro onde a temperatura era cuidadosamente controlada; ela recebia a quantidade correta de água e luminosidade todos os dias, e era tratada com muito zelo pelos especialistas. Em outras palavras, ela cresceu em um ambiente perfeito.
Nós a levamos para casa e durante alguns dias ela permaneceu imponente e bela. Entretanto, em um curto espaço de tempo as folhas começaram a cair e um pouco do seu “brilho” começou a desaparecer. Eventualmente a planta morreu. Qual foi o problema? É muito simples, a planta só podia sobreviver em uma atmosfera perfeita.
Eu e a Marti fizemos tudo o que estava ao nosso alcance mas a planta simplesmente não pode suportar o mundo real do nosso lar. Aprendi uma lição valiosa, já que não vivemos em um mundo perfeito, se nós formos “plantas de um viveiro” nós provavelmente não sobreviveremos ao mundo real do nosso dia a dia.
Pouco tempo após esta experiência, eu fiz uma viagem missionária à Jamaica. Enquanto eu estava lá eu fiquei chocado em ver o mesmo tipo de planta cuja altura era superior a uma casa e com folhas grandes o suficiente para protegerem uma pessoa da chuva. A lição que se deve tirar é esta: as plantas na Jamaica podiam suportar as estações e usavam cada estação em sua própria vantagem e cresciam até chegarem à maturidade.
Para muitas pessoas eu creio que o tempo (estação) espiritual no Brasil está mudando. Eu creio que muitos estão adentrando um período de sequidão espiritual. Isto não é algo ruim se você compreender que cada estação é temporária e necessária para gerar maturidade.
Estar passando por um tempo (estação) de seca não significa necessariamente que você precisa ser uma pessoa “seca”. Isto é muito importante! Deixe-me dizer isto novamente, estar passando por um tempo (estação) de seca não significa necessariamente que você precisa ser uma pessoa “seca.” Todavia, significa que você precisa cavar mais fundo para encontrar água, que é essencial para o funcionamento de um forte sistema de raízes. Se uma árvore for grande mas suas raízes forem pequenas até mesmo um vento fraco pode derrubá-la. Contudo, se a árvore tiver firmado raízes profundas no solo, ela permanecerá em pé mesmo quando outras estiverem caindo.
Então o tempo de seca tem um propósito em sua vida. É o momento para cavar mais fundo e encontrar a fonte de água viva que está muito abaixo da superfície. Eu te garanto que ela está ali para ser encontrada. Aqueles que sobreviverem um tempo de seca – estiagem – prosperarão em seu relacionamento com Jesus e quando a estação de chuva voltar eles estarão firmes para desfrutarem da chuva. Aqueles que sucumbirem no tempo de estiagem, nunca discernirão a mudança das estações para poderem desfrutar do tempo refrescante que sempre sucede o tempo de aridez.
Outra coisa que o tempo seco produz é a habilidade de encontrar Jesus sem o auxílio de uma equipe de adoração ou até mesmo de outros cristãos que estão queimando com o fogo de Deus. Você vai aprender a adorar sozinho e receberá diretamente do Senhor, sem fazer uso de intermediários. Novamente, um tempo (estação) seco não significa que você precisa ser uma pessoa “seca”. Significa que você precisa encontrá-lo em um lugar mais profundo. Isto produz um caráter mais forte e é um verdadeiro crescimento como cristão.
No evangelho de Marcos capítulo onze encontramos Jesus saindo da cidade quando Ele deparou-se com uma figueira coberta por folhas. Na figueira o fruto sempre aparece ao mesmo tempo que as folhas, então Jesus esperava encontrar fruto na árvore. Infelizmente havia folhas mas Ele não encontrou nenhum fruto, Jesus então amaldiçoou a árvore.
Talvez alguns estão cobertos por folhas e aparentam ser belos e frutíferos quando estão debaixo da chuva de Deus. Contudo, após um exame mais preciso verifica-se que não existem frutos, somente folhas. Nenhum de nós deseja ser encontrado nesta condição.
Se um tempo seco exige que você cave mais profundo para encontrar a Deus e para encontrar a sua fonte pessoal de água, então um tempo (estação) seco é tão produtivo para você quanto a estação de chuva.
Jesus não te abandonou. Ele não se esqueceu de você. Ele apenas se escondeu um pouco mais para que você o busque com maior paixão. Ele está lá, eu prometo. “Buscai e achareis.”
Palavra Pastoral de Fim de Ano
“Derramarei água sobre o sedento, e rios sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade, e a minha bênção sobre os teus descendentes.” Is.44:3
FELIZ NATAL E PROSPERO 2011
Queremos agradecer a Deus pela maior dádiva dos céus aos homens, JESUS. A manifestação do seu amor por nós e razão do verdadeiro Natal. Agradecemos também aos pastores da aliança apostólica, a nossa equipe, a nossa liderança de ministérios, aos funcionários, aos obreiros voluntários e a cada discípulo da IBA. Agradeço pela fidelidade e dedicação a esta obra. Queremos tributar a todos vocês cada conquista deste ano e ao mesmo tempo desafiá-los a permanecerem unidos, a perseverarem para que os frutos se multipliquem e o nome do Pai seja glorificado.
Minha oração é para que CRISTO permaneça em vós; Ele é a esperança da Glória. E que o novo ano seja de crescimento e prosperidade para todos nos.
Um ano que começa esconde mistérios que só o tempo poderá revelar. Ninguém pode garantir quem viverá para ver dezembro chegar e quem vai encontrar seu fim. Não sabemos as surpresas, as guerras e as bênçãos que nos aguardam no virar de cada curva. Um ano que começa é um convite a reflexão.
Um dos sentimentos que invade o coração no fim de um ano é o de gratidão. Aquele constrangimento presente em quem se sabe abençoado além do que merece. Afinal, tantas outras pessoas sofreram mais, lutaram mais, algumas não resistiram e nós continuamos de pé. Por quê? A resposta é simples: Por que Deus quis. Ele nos sustentou durante todo o tempo com Suas mãos poderosas. Não entendemos a graça, mas ela nos deixa sentir seus efeitos todos os dias.
Liderando nossa família, coordenando projetos, engajados na criação de filhos e na edificação da igreja, nós podemos perder a noção do quão abençoados somos. Quando o fim chega lembramos-nos do começo. Olhando para trás, no fechar das cortinas do ano, percebemos o quão Deus foi bom. Gratidão.
A outra sensação renovada no começo de um novo ano é a da dependência. Um convite para voltar a segurar nas mãos de Deus. Por que se Deus nos ajudou até aqui, certamente, ele continuará nos ajudando até o fim. Se já foi fiel, continuará sendo todo o tempo.
Que nosso coração se encha de gratidão e possamos renovar nosso compromisso com uma vida na dependência de Deus. E que o próximo ano guarde as melhores bênçãos e as vitórias que esperamos no Senhor.
O relógio não para.
Pr Joaquim Neto e Pra Margareth Rose






