Olhos voltados para lá
Gostaria de gastar poucas linhas falando de algo que muitos pastores e profetas já têm ensinado nestes dias de despertar da Igreja. Caso você ainda não tenha ouvido ou lido em algum lugar, esse será um bom momento para dar uma olhada nesse importante aspecto do relacionamento que esta geração terá com o seu Deus. Não é nada parecido com o tipo de relacionamento que muitos de nós estão acostumados ter com Deus. Novos tempos, novo foco.
Você lembra-se dos tempos de escola? Se você foi um adolescente normal e não cresceu em algum mosteiro escondido nas montanhas, sabe como funcionam as coisas. Se você tem um par de tênis da moda, um belo sorriso, um carro legal e um pai rico, então é amado por todos. Se, por outro lado, tem um velho tênis de promoção, usa aparelhos nos dentes, anda de transporte público e seu pai trabalha muito para lhe dar algum conforto e educação, então você não consta na lista de convidados para as melhores festas e grupos, não é verdade? Nos livros de lembranças dos últimos anos da escola, você é aquela cabeça, quase invisível, por trás de uma bandeira qualquer, que ninguém reconhece.
No Reino de Deus algumas pessoas parecem usar desta mesma filosofia. Tratam Deus por aquilo que Ele tem. Se “estar com Deus” é moda, então estou com Deus! Se me agrada ser cristão e tenho o que peço, tudo certo. Se for impopular servir a Deus e não recebo o que peço, então penso com minha filosofia oportunista, escolho outro caminho. Pelo menos até que novamente esteja na moda andar com Jesus, ou então que eu precise muito de uma cura ou de outra bênção.
Duro pensar sobre isso. Todos nós nos achegamos a Deus, primeiramente, por aquilo que Ele tem a nos oferecer. Somos meio interesseiros e queremos cura ou, talvez, o alívio de alguma dor emocional, quem sabe até um emprego. Isso nos leva à Sala do Trono. Chegamos lá negociando: Deus, eu cheguei aqui para ver o que você tem para mim. Se funcionar, então te servirei! O fato é que Ele nos abençoa e quase sempre nos dá aquilo que pedimos. Deus é abençoador, não somente têm as bênçãos como Ele mesmo é a própria bênção. Mas, amigo, Ele nunca intentou que essa busca por bênçãos guiasse nossa vida espiritual. Sempre houve um nível de relacio-namento mais alto do que somente ter seus dons e bênçãos. Existe um nível onde nós temos a Ele.
“Eu sou do meu amado, meu amado é meu”. Isso é profundamente romântico. O livro de Cantares é um livro de amor e não entendo o porquê de alguns cristãos o evitarem, pensando consigo mesmos: “por que este livro está na Bíblia?” Porque ele fala de intimidade. Sobre intimidade, o que sabemos é que você não pode ter intimidade com coisas. Somente há intimidade entre as pessoas.
Deixe-me pôr desta forma: você casaria com alguém só porque ele tem uma casa maravilhosa e um carro esportivo? Se sua resposta é “sim”, então saiba que você poderá se meter em uma grande enrascada. Então, você gosta do carro e do dinheiro, mas não vai poder se relacionar com tais coisas. Precisa haver intimidade com o dono do carro e da casa. Da mesma forma, funciona com Deus. Não podemos construir um relacionamento baseado nas bênçãos, porque não podemos desenvolver intimidade com as coisas que nos foram dadas, mas sim com Aquele que nos presenteou com tudo. Não devemos colocar as bênçãos de Deus em primeiro lugar em nossa vida. O foco primário deve ser sempre o Deus das bênçãos.
Com os olhos voltados para lá, essa geração busca a face de Deus. Não Suas mãos. Sua face fala de quem Ele é, da natureza profunda do sagrado Deus, e não somente da superficialidade do que Ele tem. Deus abençoa a todos, no entanto, se revela a poucos. A Palavra diz que Ele faz chover sobre justos e injustos. Mesmo assim, Seus segredos são para os que O buscam(Salmos 25:14) São para a Noiva os segredos escondidos do Noivo.Ele não busca um relacionamento superficial com uma noiva cheia de ganância e interesse e, mesmo que ela sinta-se deslumbrada pela riqueza e grandeza do seu Amado no primeiro momento, sabe que, mais do que isso, precisa saber quem Ele é.
Com essa palavra, quero somente deixar claro que não há nada de errado em querer ser abençoado, desde que não paremos por aí nem nos conformemos com isso. Deus não é um “Papai Noel” que aparece uma vez ao ano para nos dar tudo o que lhe pedimos. Ele é um pai, um irmão e um amante. Relacionamentos desse tipo são nutridos por intimidade diária. Sim, este é um convite para ir mais fundo hoje. Que tal se você orasse a Deus, dizendo:
“Olá, Senhor! Hoje eu não quero nada. Sei que Tu sabes do que preciso, mas sinto que, neste dia, mais importante do que aquilo que podes me dar, é Te conhecer. Revela-Te a mim. Fala comigo no mais profundo do meu ser. Nada é mais importante do que Te ter, nem mesmo ir pro Céu. Eu Te quero por aquilo que o Senhor é. Vem me encontrar”. Posso garantir uma coisa: esse é o tipo de convite que Ele não vai recusar!





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